A admiração
e o ódio disputam lado a lado o filme de estreia do diretor Robert Eggers
Felipe Augusto
Considerado como um dos filmes mais
aguardados no gênero de terror para 2016, "A Bruxa", do estreante diretor
americano Robert Eggers, vem causando polêmica na internet desde sua estreia no
mês de março. Enquanto alguns afirmam que o longa metragem chega ao mercado
como uma desejada e necessitada renovação do gênero de horror, outros
consideram o filme uma decepção, muita exaltada por entusiastas do ramo.
Na trama, acompanhamos uma família
oriunda do século XVII, Nova Inglaterra, após serem expulsos da vila em que
viviam sob acusação da prática de heresia. Sendo assim, o pai William, a mãe Katherine, a
filha adolescente Thomasin, o filho pré-adolescente Caleb e os gêmeos Mercy e Jonas
estabelecem nova moradia em uma clareira na borda de uma grande e densa
floresta, onde passam a presenciar acontecimentos misteriosos e sobrenaturais.
E é neste momento que "A Bruxa" começa.
Seguindo uma linha totalmente
diferente do usual para o gênero, Eggers utiliza sua experiência do teatro para
criar ângulos e takes artísticos. Além
disso, a fidelidade às roupas, diálogos e ambientação da época fazem com que a
tensão no filme aumente a cada nova cena, transportando o espectador para o ano
de 1630 novamente. Em sua crítica para o site de entretenimento Omelete, Érico
Borgo destaca o talento do diretor. "Era de se esperar de um designer de
produção e diretor de peças teatrais a obsessão com fidelidade histórica e
esmero nos diálogos que The Witch entrega”, afirma.
Assim como sua imersão, o terror de
"A Bruxa" vai se estabelecendo aos poucos. "O maior mérito do
filme é se filiar claramente ao um gênero sem ceder a seus chavões. No lugar
dos sustos fáceis, o filme oferece uma tensão crescente –quando o terror aparece,
ele chega pra valer”, destaca Ricardo Calil, crítico de cinema para o jornal
Folha de São Paulo.
No entanto, nem tudo são elogios.
Justamente por se tratar de um terror artístico é de se esperar que o filme não
vá agradar a todos. Pablo Bazzarello foi enviado a uma das primeiras
exibições do filme, em Toronto (CA), pelo site Cinepop e alerta os amantes de jumpscares e sustos previsíveis. "
Você que é fã de terror e vem ouvindo somente elogios de A Bruxa, que o
enaltecem como o melhor filme de terror dos últimos anos e mal pode esperar para
assisti-lo, saiba que você provavelmente irá odiá-lo. A Bruxa possui
um ritmo deliberadamente lento e em sua maior parte se comporta mais como um
drama de época do que propriamente como um terror. Muito pouco acontece, e já
imagino a debandada do público casual”, comenta
Bazzarello.
Wellington
Ricelli, crítico para o site Poltrona Nerd, deixa bastante clara sua insatisfação com o
longa ao titular sua crítica com “A Bruxa: não recomendado nem para satã, de
tão ruim". Para Ricelli, o maior defeito do filme é seu passar lento e
pouco explicativo. "Lenta ao extremo, a trama tem dificuldade de se
desenvolver e de prender a atenção do público, além de perder várias
oportunidades de dar um rumo mais interessante à história, como, por exemplo, extrair
mais cenas dos filhos gêmeos, que são um dos pontos alto do filme",
conclui.
De modo geral, o
filme cumpre seu papel em trazer aos cinemas uma forma de se fazer horror a
muito esquecida. Apesar das opiniões divergentes, é fato que “A Bruxa” foi
apenas o início para, talvez, uma brilhante carreira de Robert Eggers no mundo
do terror.
CHAMADAS:
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