quinta-feira, 10 de março de 2016

Estreia de “A Bruxa” divide opiniões na internet

A admiração e o ódio disputam lado a lado o filme de estreia do diretor Robert Eggers

Felipe Augusto

Considerado como um dos filmes mais aguardados no gênero de terror para 2016, "A Bruxa", do estreante diretor americano Robert Eggers, vem causando polêmica na internet desde sua estreia no mês de março. Enquanto alguns afirmam que o longa metragem chega ao mercado como uma desejada e necessitada renovação do gênero de horror, outros consideram o filme uma decepção, muita exaltada por entusiastas do ramo.

Na trama, acompanhamos uma família oriunda do século XVII, Nova Inglaterra, após serem expulsos da vila em que viviam sob acusação da prática de heresia. Sendo assim, o pai William, a mãe Katherine, a filha adolescente Thomasin, o filho pré-adolescente Caleb e os gêmeos Mercy e Jonas estabelecem nova moradia em uma clareira na borda de uma grande e densa floresta, onde passam a presenciar acontecimentos misteriosos e sobrenaturais. E é neste momento que "A Bruxa" começa.

Seguindo uma linha totalmente diferente do usual para o gênero, Eggers utiliza sua experiência do teatro para criar ângulos e takes artísticos. Além disso, a fidelidade às roupas, diálogos e ambientação da época fazem com que a tensão no filme aumente a cada nova cena, transportando o espectador para o ano de 1630 novamente. Em sua crítica para o site de entretenimento Omelete, Érico Borgo destaca o talento do diretor. "Era de se esperar de um designer de produção e diretor de peças teatrais a obsessão com fidelidade histórica e esmero nos diálogos que The Witch entrega”, afirma.

Assim como sua imersão, o terror de "A Bruxa" vai se estabelecendo aos poucos. "O maior mérito do filme é se filiar claramente ao um gênero sem ceder a seus chavões. No lugar dos sustos fáceis, o filme oferece uma tensão crescente –quando o terror aparece, ele chega pra valer”, destaca Ricardo Calil, crítico de cinema para o jornal Folha de São Paulo.

No entanto, nem tudo são elogios. Justamente por se tratar de um terror artístico é de se esperar que o filme não vá agradar a todos. Pablo Bazzarello foi enviado a uma das primeiras exibições do filme, em Toronto (CA), pelo site Cinepop e alerta os amantes de jumpscares e sustos previsíveis. " Você que é fã de terror e vem ouvindo somente elogios de A Bruxa, que o enaltecem como o melhor filme de terror dos últimos anos e mal pode esperar para assisti-lo, saiba que você provavelmente irá odiá-lo. A Bruxa possui um ritmo deliberadamente lento e em sua maior parte se comporta mais como um drama de época do que propriamente como um terror. Muito pouco acontece, e já imagino a debandada do público casual”, comenta Bazzarello.

Wellington Ricelli, crítico para o site Poltrona Nerd, deixa bastante clara sua insatisfação com o longa ao titular sua crítica com “A Bruxa: não recomendado nem para satã, de tão ruim". Para Ricelli, o maior defeito do filme é seu passar lento e pouco explicativo. "Lenta ao extremo, a trama tem dificuldade de se desenvolver e de prender a atenção do público, além de perder várias oportunidades de dar um rumo mais interessante à história, como, por exemplo, extrair mais cenas dos filhos gêmeos, que são um dos pontos alto do filme", conclui.


De modo geral, o filme cumpre seu papel em trazer aos cinemas uma forma de se fazer horror a muito esquecida. Apesar das opiniões divergentes, é fato que “A Bruxa” foi apenas o início para, talvez, uma brilhante carreira de Robert Eggers no mundo do terror. 

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