A escassez de novos profissionais vem se agravando desde o ano de 2008
Felipe Augusto
Realizada no dia 25 de fevereiro,
no Rio de Janeiro, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), destinada a
investigar os autos de resistência e mortes decorrentes de ações policias no estado,
contou com a participação do diretor do Instituto Médico Legal Afrânio Peixoto,
que ressaltou um problema que vem se agravando desde o ano de 2008: A insuficiência
de peritos para o IML da cidade.
“Em 2008, nós contávamos com um
número de 8 a 10 peritos legistas por dia. Esse número vem sendo reduzido desde
então, já que alguns se aposentaram, outros se licenciaram e, por não termos
oportunidade de novos concursos públicos para peritos legistas, esse número
caiu pela metade. Hoje, nós temos quatro peritos trabalhando, que é um número
muito reduzido se compararmos com a demanda de casos que nos aparecem
rotineiramente. Nós trabalhamos com muito empenho e boa vontade, afinal, o
número mínimo de profissionais com que deveríamos contar era de sete”, afirma
Peixoto.
A presidenta da Associação dos
Peritos do Estado do Rio de Janeiro (Aperj), Denise Rivera, também abordou este
assunto em sua fala durante o evento e apontou que, os profissionais que ainda
estão atuando na área, com o tempo, desistem da profissão. “Pela lei, nós temos 535 vagas para perito
criminal e 500 vagas para legistas. Atualmente, nós contamos com 465 peritos
criminais e 330 peritos legistas, sendo que eles não fazem somente necropsia.
Realizam também o corpo de delito, a parte laboratorial, psicologia, etc. O
último concurso foi em 2009, e desde então não recebemos mais nenhum, fora que
os salários baixos e a falta de condições para o trabalho fazem com que a gente
perca os que lá estão. Muitos se demitem, se aposentam, etc”, conclui.
A discussão também busca reduzir a
quantidade de casos de autos de resistência na cidade. Segundo o deputado
estadual Marcelo Freixo (PSOL), em 2015 foram registrados de um a dois casos de
homicídio para suspeitos de crimes policiais, por dia. Em casos como este, a perícia
é responsável por identificar se houve ou não tentativa de fuga e/ou
resistência por parte do detido.
“Nenhuma polícia no mundo considera que esse é um número aceitável de
pessoas mortas provenientes de ações policiais. Isso é gravíssimo e algo tem de
ser feito urgentemente", lamenta o deputado.
Facebook: Escassez de profissionais para atuar no IML do Rio de
Janeiro vira pauta na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
Twitter: IML do Rio de Janeiro sofre com falta de profissionais
para atuação na área.
Home: IML do Rio de Janeiro sofre com déficit de peritos. A
situação vem se agravando desde 2008.
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